Candomblé: Uma religião brasileira

Não é segredo para ninguém que o candomblé foi criado aqui no Brasil pelos sacerdotes africanos escravizados. Negros trazidos para cá pelos antigos senhores escravocratas. Adaptando o cultos as suas divindades à nova realidade e situação de vida.

Sendo assim, usando como base o culto praticado em terras africanas, vemos que a liturgia se difere em muitos aspectos das praticadas em nosso território. São muitos os aspectos culturais e circunstanciais que contribuíram para a nova formatação do culto aos Orixás, Voduns e Nkises.

Em decorrência da proibição da prática de quaisquer religiões que não fosse a católica até a Proclamação da República, os negros foram obrigados a encobrir seus altares sob imagens de santos católicos. Começou então o sincretismo religioso. Os sacerdotes utilizavam sempre imagens de santos católicos que se assemelhavam em características ao Orixá que tinha seu Igbá ocultado pela imagem do santo.

escravos brasileiros
Os negros escravizados e seus cultos religiosos

Além disso, a nova cultura europeia obrigatoriamente introduzida pela convivência, o novo meio ambiente e as novas circunstâncias foram moldando a vida dos sacerdotes e consequentemente sua maneira de culto.

Inevitavelmente, pela junção de escravos de diversas etnias e os fatores citados acima, a nova religião foi se formando. Em consequência o Candomblé se difere em muitos fatores do culto original trazido da África. Apesar de muitas de suas bases permanecerem, há diferenças litúrgicas gritantes entre os continentes.

Portanto, podemos afirmar que o Candomblé, assim como a Umbanda é uma religião de origem brasileira. Que difere do culto tradicional africano e de outros cultos de origem africana como a santeria cubana.

Em resumo, o candomblé é uma reformulação dos cultos às divindades africanas. Sendo uma recriação e uma adaptação à nova realidade e ao novo mundo encontrado pelo antigos sacerdotes.

Desta forma podemos afirmar que o Candomblé é uma religião jovem, ainda se estabelecendo e se ajustando. Que infelizmente torna-se complicado pelo fato de não termos um corpo sacerdotal organizado para definir diretrizes claras e evitar distorções.

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